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As minhas leituras

17-04-2011 18:26

Eu sempre fui leitora insaciável, lia (e leio) tudo o que podia e a melhor oferta que me podem dar é um livro. Li a colecção toda de Enid Blyton, a autora de “Os Cinco”, a Condessa de Ségur, as Pupilas do Senhor Reitor, A Família Inglesa, e outros romances de Júlio Diniz. Li centenas de livros de banda desenhada da Walt Disney, o Tim-Tim, o Asterix, entre outros. Quando gostava de um livro, voltava a lê-lo do início, aliás ainda hoje o faço. Por exemplo, já li “Os Maias” de Eça de Queiroz seguramente quatro vezes.
Estas diferentes leituras permitiram-me ter acesso a um bom vocabulário, na escola raramente dava erros de ortografia, lia e interpretava com facilidade, e de certeza permitiram-me ter a noção de outras culturas, de algum espírito crítico, desenvolver o bom humor além de ter ganho aprendizagens práticas de estudo académico. Sempre frequentei bibliotecas, quando não as havia, aproveitava as itinerantes que passavam próximo da minha casa em Angola. Presentemente, sou sócia das bibliotecas de Almada, frequentando as bibliotecas municipais do Fórum Romeu Correia (Almada) e José Saramago (Feijó). Não me consigo imaginar sem livros para ler e se, por força das circunstâncias não tenho tempo para o fazer, sinto que me falta algo, sinto um certo vazio.
O livro que mais me marcou foi o Código Da Vinci, considerado um livro polémico na altura em que foi publicado (2003). Precisamente por ter suscitado tanta controvérsia, despertou-me vontade de o ler e tentar descobrir por mim própria o motivo de acesas discussões a que vínhamos assistindo.
Abstraindo-nos do enredo da história, que evidentemente será considerado como ficção, existem dados científicos, religiosos e históricos devidamente comprovados. É na interpretação destes dados que reside a polémica, porque, no meu entender, se tudo o que foi escrito fosse um enorme embuste então esta polémica não teria razão de ser. A forma como os factos históricos nos foram apresentados, leva-nos a reflectir sobre toda a influência que a Igreja Católica tem tido ao longo de milénios. Pelo facto de este livro nos permitir estas reflexões, só por si, já constitui um documento importante, suficiente para ter alimentado a ira de vários líderes espirituais. Existem milhares de obras escritas sobre o assunto da religiosidade, mas como este livro, penso que não terá havido igual. Pelo facto de ser um assunto incómodo para muitas entidades, as discussões abrandaram, no entanto, no meu entendimento, haverá ainda muito para dizer.
Através deste livro apercebi-me de conceitos matemáticos, referentes por exemplo à sequência Fibonacci que indica uma progressão em que cada termo é igual à soma dos dois que o antecedem: [1-1-2-3-5-8-13-21-…]. Este conceito criado pelo Leonardo Fibonacci no séc. XIII, deu origem a um número considerado como a proporção divina, o número de ouro, pois os quocientes de dois termos adjacentes da sucessão de Fibonacci, aproximam-se deste número (1.618…)
Por exemplo, numa colmeia se dividirmos o nº de fêmeas pelo nº de machos, obtemos 1.618; a razão entre o diâmetro de cada espiral e o da seguinte da concha do nautilo, dá-nos 1.618. Leonardo Da Vinci, demonstrou que o corpo humano é literalmente formado por blocos constitutivos cuja razão proporcional é sempre igual ao número de ouro. Estas leituras abriram-me a mente para temas que desconhecia e impulsionaram-me a pesquisas posteriores. No âmbito musical, familiar para mim por motivos profissionais, apercebi-me de estudos que indicam que esta proporção aparece também na “estrutura organizacional das sonatas de Mozart, na 5ª Sinfonia de Beethoven, Bartok, Debussy e Schubert”, e até “Stradivarius usou este nº para calcular a localização exacta dos espelhos nos seus violinos” (Fonte: http://natbayeh.blogspot.com/2009/09/ideia-de-sermos-parte-de-um-todo-parece.html?zx=46e587fece413855).
As referências à Maçonaria e à Opus Dei foram também para mim, motivo de grandes reflexões sobre o que estas duas organizações preconizam, e o quanto sabemos delas e que afinal é muito pouco. Sabemos que no nosso país e em todo o mundo há figuras eminentes da política, das artes, da docência, de gestão, entre outros campos, que estão envolvidas nestas organizações, e o grau de secretismo a que se remetem, para mim são motivo de reflexão e curiosidade.
A simbologia descrita no livro é bastante elucidativa e leva-nos à conclusão de que não existem acasos, tudo tem uma razão de ser, tudo obedece a uma ordem, e que no mínimo, temos que pensar por nós próprios, fazermos as nossas reflexões, e estarmos atentos a tudo o que nos rodeia.
Todos estes conceitos foram brilhantemente escritos pelo Dan Brown e desafiaram-me a algumas reflexões importantes e, por este motivo, considero que foi, até agora, o livro que mais me marcou.

Maria Cristina Bettencourt Pereira, RVCC Nível Secundário, Grupo 21
 

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